Glossário de Saúde Mental
Glossário de saúde mental com os principais termos explicados em linguagem simples: delírio, anosognosia, surto, internação voluntária, involuntária e mais.
A linguagem da saúde mental pode ser difícil de entender, principalmente quando a família está vivendo uma situação de crise. Este glossário reúne os termos que mais aparecem nas consultas, nos laudos e nas conversas com a equipe de saúde, explicados em linguagem simples. Use o índice abaixo para ir direto ao termo que procura.
Índice de A a Z (43 termos)
Sintomas e sinais de alerta
Alucinação
Percepção de algo que não existe de verdade, como ouvir vozes ou ver pessoas e objetos que ninguém mais vê. Para quem vive isso, é tão real quanto qualquer outra experiência. Pode aparecer em quadros psicóticos, em intoxicações e na abstinência de substâncias.
Delírio
Crença falsa e fixa, mantida mesmo quando existem provas em contrário. Os mais comuns são os delírios de perseguição (achar que querem prejudicá-lo) e os de grandeza. Não é mentira nem teimosia: para a pessoa, aquilo é verdade, e discutir costuma aumentar a resistência.
Falta de crítica (anosognosia)
Dificuldade de reconhecer que se está doente. Em alguns transtornos, como a esquizofrenia e os episódios de mania, isso faz parte do próprio quadro e não é uma escolha. É um dos motivos pelos quais algumas pessoas recusam o tratamento.
Surto psicótico
Episódio agudo em que a pessoa perde o contato com a realidade, com delírios, alucinações e fala ou comportamento desorganizados. Precisa de avaliação profissional urgente. Veja: o que fazer nas primeiras horas de um surto psicótico.
Psicose
Termo geral para quadros com perda de contato com a realidade, com delírios e/ou alucinações. Pode ter várias causas, como esquizofrenia, transtorno bipolar, uso de substâncias ou condições médicas.
Mania
Período em que o humor fica anormalmente elevado ou irritável, com muita energia, pouca necessidade de sono, ideias aceleradas e impulsividade. Pode causar prejuízos graves e, às vezes, vir com delírios. É característica do transtorno bipolar.
Hipomania
Forma mais leve de mania: humor elevado ou irritável e muita energia, mas sem perda de contato com a realidade e sem prejuízos tão graves. Mesmo assim, merece avaliação. Veja: hipomania: o que é, sintomas e como tratar.
Ideação suicida
Pensamentos sobre acabar com a própria vida. É um sinal de alerta que exige atenção profissional imediata. Conversar com cuidado e sem julgamento sobre o assunto ajuda a pessoa a pedir ajuda.
Autolesão
Ato de machucar o próprio corpo de propósito, geralmente como forma de lidar com um sofrimento emocional intenso, nem sempre com intenção de morrer. É um sinal de que a pessoa precisa de apoio e de avaliação profissional.
Crise
Momento de piora aguda dos sintomas, em que a pessoa pode não conseguir se cuidar ou colocar a si mesma ou outras pessoas em risco. Nem toda crise exige internação, mas toda crise merece avaliação profissional.
Recaída
Volta ou piora dos sintomas depois de um período de melhora. É comum em transtornos mentais e na dependência química, e costuma estar ligada à interrupção do tratamento ou a períodos de estresse. Manter o acompanhamento depois da alta ajuda a prevenir.
Comorbidade
Presença de dois ou mais transtornos ao mesmo tempo, como depressão e dependência química. Exige um plano de tratamento que considere todos os quadros em conjunto.
Transtornos mentais mais comuns
Ansiedade
Reação natural de alerta diante de situações difíceis. Vira um transtorno quando é excessiva, constante e atrapalha a rotina, com sintomas como preocupação intensa, tensão, palpitações e insônia. Veja: ansiedade: o que é, sintomas e tratamento.
Depressão
Transtorno em que a tristeza, a perda de interesse e a falta de energia duram semanas e atrapalham a vida. Pode vir com alterações de sono e apetite, sentimento de culpa e pensamentos de morte. Tem tratamento. Veja: como deve ser o tratamento da depressão.
Transtorno bipolar
Transtorno em que o humor alterna entre episódios de mania (ou hipomania) e de depressão, com períodos de estabilidade no meio. Exige acompanhamento contínuo. Veja: transtorno bipolar: sinais, diagnóstico e tratamento.
Esquizofrenia
Transtorno mental grave que afeta o pensamento, a percepção e o comportamento. Pode envolver delírios, alucinações, fala desorganizada e isolamento. Em geral começa no fim da adolescência ou no início da vida adulta, e o tratamento contínuo ajuda a controlar os sintomas.
Transtorno de personalidade borderline
Padrão de instabilidade nas emoções, nas relações e na imagem de si mesmo, com impulsividade e medo intenso de abandono. Tem tratamento, em especial com psicoterapia. Veja: clínica psiquiátrica para borderline.
Burnout
Esgotamento causado por estresse crônico no trabalho, com cansaço extremo, distanciamento e queda de rendimento. A OMS o classifica como um fenômeno ocupacional, mas ele pode vir junto com depressão e ansiedade. Veja: burnout no trabalho: sintomas e como prevenir.
Tratamento e equipe de cuidado
Psiquiatra
Médico especialista em saúde mental. É o profissional que faz o diagnóstico, prescreve e ajusta medicamentos e indica quando a internação é necessária.
Psicólogo
Profissional de psicologia que faz avaliação psicológica e psicoterapia. Não prescreve medicamentos e trabalha em conjunto com o psiquiatra.
Psicoterapia
Tratamento feito por meio da conversa com um profissional, que ajuda a pessoa a entender e a lidar com emoções, pensamentos e comportamentos. Pode ser individual ou em grupo.
Terapia ocupacional
Tratamento que usa atividades do dia a dia, como arte, cuidados pessoais e tarefas em grupo, para recuperar autonomia, rotina e convivência social.
Equipe multiprofissional
Grupo de profissionais de áreas diferentes (psiquiatra, psicólogo, enfermagem, terapeuta ocupacional, assistente social) que cuidam juntos do paciente, cada um com a sua especialidade.
Plano terapêutico individual
Plano de tratamento feito sob medida para cada paciente, com objetivos, medicações e atividades definidos a partir da avaliação inicial e revisto ao longo do tempo.
Adesão ao tratamento
Grau em que o paciente segue as orientações: toma os medicamentos nos horários, vai às consultas e participa das atividades. A baixa adesão é uma das principais causas de recaída.
Alta
Encerramento da internação. Em geral, é definida pela equipe médica quando o paciente está estável e em condições seguras de voltar para casa. A lei prevê regras próprias para o término de cada modalidade de internação. Depois da alta, o acompanhamento ambulatorial é fundamental.
Internação psiquiátrica e a lei
Internação psiquiátrica
Tratamento feito em ambiente protegido, com equipe multiprofissional, indicado quando os recursos fora do hospital não são suficientes. Busca estabilizar o quadro e permitir a volta à vida em sociedade. Veja: guia completo de internação psiquiátrica.
Internação voluntária
Quando o próprio paciente pede ou aceita a internação e assina uma declaração de que escolheu esse tratamento.
Internação involuntária
Internação feita sem o consentimento do paciente, a pedido de um familiar ou responsável e com autorização médica. O responsável técnico da clínica comunica o Ministério Público em até 72 horas. Veja: como pedir internação psiquiátrica.
Internação compulsória
Internação determinada pela Justiça, por decisão de um juiz, independentemente da vontade do paciente e da família.
Laudo médico circunstanciado
Documento do médico que descreve o quadro do paciente e justifica os motivos da internação. A Lei 10.216/2001 exige esse laudo para qualquer modalidade de internação psiquiátrica.
Lei 10.216/2001
Também conhecida como Lei da Reforma Psiquiátrica. Define os direitos das pessoas com transtornos mentais, prioriza o tratamento fora do hospital sempre que possível e regula os três tipos de internação. Texto completo: Lei nº 10.216/2001.
Reforma psiquiátrica
Movimento que mudou o modelo de cuidado em saúde mental no Brasil: em vez de longas internações em manicômios, prioriza o tratamento em liberdade, em uma rede de serviços, e a defesa dos direitos do paciente.
Responsável técnico
Médico que responde pelo estabelecimento de saúde perante o conselho de medicina. Na internação involuntária, é ele quem comunica o Ministério Público.
Remoção de pacientes
Transporte do paciente até a unidade de tratamento com equipe preparada, de forma segura e humanizada, quando ele não pode ou não aceita ir por conta própria. Veja: remoção de pacientes: segurança e cuidado.
Dependência química
Dependência química
Transtorno em que o uso de álcool ou de outras drogas passa a ser compulsivo: a pessoa perde o controle, continua usando apesar dos prejuízos e sente desejo intenso e mal-estar quando para. Veja: tratamento da dependência química.
Síndrome de abstinência
Conjunto de sintomas físicos e psíquicos que aparecem quando a pessoa reduz ou interrompe o uso de uma substância, como tremores, suor, ansiedade, insônia e agitação. Em alguns casos, como o do álcool, pode ser grave e exige acompanhamento médico.
Desintoxicação
Fase inicial do tratamento, em que o organismo elimina a substância sob supervisão médica, com controle dos sintomas de abstinência.
Fissura
Desejo intenso e difícil de controlar de usar a substância. É um dos principais gatilhos de recaída, e o tratamento ensina formas de lidar com ela.
Rede de cuidado e termos gerais
CAPS
Centro de Atenção Psicossocial: serviço público e gratuito de saúde mental que atende pessoas com transtornos mentais graves e persistentes, inclusive com dependência de álcool e outras drogas (CAPS AD).
RAPS
Rede de Atenção Psicossocial: conjunto de serviços públicos de saúde mental ligados entre si, como CAPS, unidades básicas e hospitais gerais, criada pela Portaria GM/MS nº 3.088/2011.
Estigma
Preconceito e julgamento que as pessoas com transtornos mentais enfrentam. Faz muitas famílias adiarem a busca por ajuda. Falar do tema com respeito e informação ajuda a reduzi-lo.
Reinserção social
Retomada da vida em comunidade depois do tratamento: família, trabalho, estudos e relações. É o objetivo permanente do tratamento, segundo a Lei 10.216/2001.
Ficou com alguma dúvida? Se você está vivendo uma situação em que precisa decidir sobre um tratamento ou uma internação, leia o guia completo de internação psiquiátrica para famílias ou fale com a nossa equipe, que explica cada etapa com sigilo e acolhimento. O atendimento é de segunda a sexta, das 9h às 20h, e aos sábados e domingos, das 10h às 19h.
Este glossário tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Em situação de risco imediato à vida, ligue para o SAMU (192) ou procure o pronto-atendimento mais próximo.
Referências gerais: Lei Federal nº 10.216/2001; Portaria GM/MS nº 3.088/2011 (Rede de Atenção Psicossocial); CID-11 (Organização Mundial da Saúde).
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