Melzinho do Amor e o Aumento da Libido: conheça os efeitos da substância
Publicado: 18/01/2024 • Dependência QuÃmica
O melzinho do amor é uma substância que ganhou visibilidade nas baladas clandestinas durante a pandemia e segue preocupando especialistas em saúde pública, pais e educadores. Vendido em embalações coloridas com rótulos que prometem ser "100% natural", esse produto engana pela aparência inofensiva enquanto esconde uma composição química potencialmente fatal.
O psicólogo Antonio Chaves Filho, especializado em dependência química, alerta: a desinformação sobre essa substância é um dos maiores fatores de risco. Quanto mais os jovens souberem sobre seus reais efeitos, maior a chance de evitarem o consumo. Neste artigo, abordamos tudo o que você precisa saber.
A comercialização do melzinho do amor é expressamente proibida pela Anvisa em todo o território nacional. Apesar disso, o produto continua sendo vendido em comércio ambulante, postos de combustíveis e lojas online, colocando em risco a vida de quem o consome.
O que é o melzinho do amor?
Trata-se de uma droga vendida em sachês, amplamente utilizada em bailes funk clandestinos e festas de jovens. O objetivo principal de quem a consome é melhorar a performance sexual. Porém, ao contrário do que o nome e a embalagem sugerem, essa substância está longe de ser natural ou inofensiva.
Em dezembro de 2023, um vídeo viralizou nas redes sociais mostrando uma influenciadora colocando o melzinho do amor escondido em um refrigerante oferecido a colegas da faculdade sem o conhecimento deles. O episódio gerou indignação e reacendeu o debate sobre os perigos dessa substância — incluindo o aspecto jurídico de oferecer drogas a alguém sem consentimento, o que configura crime.
O produto é amplamente divulgado e vendido pela internet, em postos de combustíveis e por "representantes" nas festas clandestinas, geralmente com promoções voltadas ao público jovem. A facilidade de acesso e o marketing enganoso tornam essa substância ainda mais perigosa.
Qual é a composição real do produto?
Nas embalagens constam ingredientes aparentemente inofensivos: mel da Malásia, Tongkat Ali, café, canela, extrato de caviar, ginseng, maçã e gengibre. Porém, esses componentes omitem o que realmente faz o produto agir — e é justamente aí que mora o perigo.
A análise realizada pelo Laboratório de Toxicologia Analítica do CIATox da Unicamp confirmou a presença de dois fármacos escondidos na fórmula:
Princípio ativo do Viagra. Medicamento aprovado para disfunção erétil em adultos, mas de uso controlado e com indicação médica obrigatória. Um único sachê do melzinho do amor pode conter o dobro da dose presente no Viagra.
Outro fármaco para disfunção erétil, também aprovado no Brasil mas restrito a prescrição médica. Seu uso inadvertido, especialmente combinado com álcool, pode causar hipotensão grave e complicações cardíacas sérias.
Além disso, a fabricação clandestina desses produtos não é monitorada nem fiscalizada. Isso significa que os fabricantes podem misturar outras substâncias para reduzir custos e aumentar a lucratividade — elevando ainda mais o risco de contaminação e adulteração da fórmula.
Quais são os riscos à saúde?
Os efeitos colaterais do melzinho do amor vão muito além de um simples desconforto. Dependendo do perfil de saúde de quem o consome, os riscos podem ser graves e até fatais:
Ereção longa e dolorosa que pode causar necrose do pênis e lesão irreversível. É uma emergência médica que exige atenção imediata.
Queda abrupta da pressão arterial, especialmente perigosa quando combinada com álcool — prática muito comum nas festas onde a droga é consumida. Pode levar ao desmaio, choque circulatório e morte.
Jovens com problemas cardíacos não diagnosticados e pessoas com hipertensão descontrolada correm risco elevado de arritmias e infarto. O uso sem avaliação médica é essencialmente uma roleta russa para esse público.
Tontura, visão turva e intensas dores de cabeça são efeitos relatados com frequência. Em doses altas, podem indicar compressão vascular no sistema nervoso central.
O uso contínuo pode gerar dependência psicológica, com piora progressiva da performance sexual natural. O jovem passa a acreditar que só consegue ter desempenho sexual com auxílio da substância.
O que é chemsex e qual a relação com o melzinho do amor?
O termo chemsex se refere à prática de misturar sexo — geralmente em grupo — com o uso de drogas. É um fenômeno crescente entre jovens e adultos e o melzinho do amor frequentemente aparece nesse contexto.
Essa combinação é especialmente perigosa por diversos motivos: as drogas reduzem a percepção de risco, aumentam a impulsividade e comprometem o julgamento. Além disso, o consumo em ambientes clandestinos, sem acesso a socorro médico imediato, eleva exponencialmente o risco de morte em caso de reação adversa.
O melzinho do amor não é indicado para mulheres e é absolutamente contraindicado para menores de 18 anos. Infelizmente, é exatamente esse o público que mais o consome, o que exige atenção redobrada de pais, educadores e profissionais de saúde.
Por que a Anvisa proibiu o produto?
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) expediu resolução proibindo a comercialização de todos os produtos conhecidos como melzinho do amor, independentemente da embalagem ou nome comercial utilizado. Os principais motivos são:
Apesar da proibição, o produto continua sendo amplamente comercializado de forma clandestina. A fiscalização encontra dificuldades porque o produto muda constantemente de nome e embalagem para driblar as autoridades.
Como identificar se alguém usou a substância?
Os efeitos do melzinho do amor costumam aparecer rapidamente após o consumo. Os sinais mais observados são:
Em caso de reação adversa após o consumo, é fundamental buscar atendimento médico de emergência imediatamente. Não espere os sintomas passarem sozinhos — especialmente em casos de queda de pressão ou ereção prolongada.
Como conversar com jovens sobre o assunto?
A prevenção começa em casa e na escola. Pais e educadores têm papel fundamental em desmistificar o consumo de drogas e criar um ambiente de diálogo aberto. Algumas orientações práticas:
Quando buscar tratamento especializado?
O consumo do melzinho do amor, especialmente de forma recorrente, pode indicar um padrão de comportamento associado ao uso de substâncias psicoativas que precisa de atenção profissional. Alguns sinais de alerta que merecem cuidado imediato:
O Instituto Aron é especializado na reabilitação de adolescentes, jovens e adultos que enfrentam a adição em drogas. Contamos com equipe multidisciplinar — psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais e enfermeiros — e oferecemos tratamento ambulatorial e internação focados na recuperação completa do paciente. Se você conhece alguém que precisa de ajuda, não espere a situação piorar. O tratamento precoce faz toda a diferença.
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