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Clinica psiquiatrica Publicado em 27/07/2024 · 12 min de leitura

Crise de Abstinência: Sintomas, Duração e Como Tratar

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Crise de Abstinência: Sintomas, Duração e Como Tratar

A crise de abstinência acontece quando a pessoa reduz ou interrompe o uso de uma substância da qual o corpo e o cérebro já dependem. Os sintomas podem ir de irritação e insônia a tremores, alucinações e convulsões, e em alguns casos colocam a vida em risco. Por isso, parar de usar sozinho, de uma hora para outra, nem sempre é seguro.

Resumo: a abstinência é uma reação do organismo à falta da substância e pode causar sintomas físicos e psíquicos. Em álcool e calmantes, ela pode ser grave e exige acompanhamento médico. O tratamento combina desintoxicação supervisionada, medicação prescrita, psicoterapia e apoio da família.

O que é uma crise de abstinência e por que ela acontece?

Quando alguém usa uma substância por muito tempo, o cérebro se adapta à presença dela e passa a funcionar com esse estímulo. Se o uso é reduzido ou interrompido, o equilíbrio se perde e surge a síndrome de abstinência: um conjunto de sinais físicos e psíquicos que o corpo apresenta pela falta da droga.

A intensidade varia de pessoa para pessoa. Dependem do tipo de substância, do tempo e da quantidade de uso, da saúde física e mental e do uso de mais de uma droga ao mesmo tempo. Fatores emocionais, genéticos e o ambiente também pesam. O primeiro sinal costuma ser a fissura, um desejo muito forte de usar, às vezes quase incontrolável.

A abstinência é um dos principais motivos de recaída: para aliviar o mal-estar, a pessoa volta a usar. Entenda como esse ciclo funciona em recaídas de dependentes químicos e o que leva uma pessoa a usar drogas e a se tornar dependente.

Quais são os sintomas da crise de abstinência?

Os sintomas não seguem um padrão fixo. Alguns são leves, outros podem ser graves. Os mais comuns são:

Tipo Sintomas mais comuns
Físicos Tremores, suor excessivo, náuseas e vômitos, dor de cabeça, dores no corpo, taquicardia, alteração do apetite e febre.
Psíquicos Ansiedade, irritabilidade, agressividade, apatia, tristeza, confusão mental, problemas de memória e fissura intensa.
Do sono e do comportamento Insônia ou sono excessivo, inquietação, comportamentos compulsivos e hipersensibilidade ao estresse.
Graves Alucinações, delírios, convulsões, desorientação e pensamentos de morte ou de se machucar.

Os sinais graves pedem atenção imediata da equipe. Quadros com delírios e alucinações podem se parecer com um surto: veja psicose e surto psicótico. Se a pessoa fala em morrer ou em se machucar, não deixe sozinha e entre em contato com o Instituto Aron na hora.

Quanto tempo dura a crise de abstinência?

Não existe um prazo único. Em geral, os sintomas começam horas ou poucos dias depois da última dose, ficam mais intensos no início e vão diminuindo ao longo de dias ou semanas. Alguns sintomas psíquicos, como ansiedade, insônia e fissura, podem durar mais tempo e voltar em momentos de estresse.

O tempo depende da substância e do quadro de cada pessoa. Por isso, é a avaliação médica que define o ritmo da desintoxicação e o acompanhamento necessário, e não um calendário de internet.

Como é a abstinência em cada substância?

Substância O que costuma acontecer Nível de atenção
Álcool Tremores, suor, ansiedade, náuseas e insônia. Em casos graves, convulsões e delirium tremens, com confusão e alucinações. Alto: pode ser grave e exige acompanhamento médico. Veja tratamento do alcoolismo.
Calmantes (benzodiazepínicos) Ansiedade intensa, insônia, tremores e, em alguns casos, convulsões, principalmente quando a retirada é brusca. Alto: a retirada deve ser gradual e feita com o médico. Veja dependência de medicamentos.
Opioides Dores no corpo, suor, náuseas, diarreia, inquietação e insônia, com fissura forte. Moderado a alto: muito desconfortável e com grande risco de recaída.
Cocaína e crack Fissura intensa, cansaço, tristeza profunda, irritabilidade e alteração do sono. Alto para o humor: há risco de depressão grave e ideias de morte.
Maconha Irritabilidade, ansiedade, insônia e perda de apetite. Moderado: costuma ser menos intensa, mas atrapalha a rotina.

Misturar substâncias muda o quadro e aumenta o risco. Para entender os efeitos de drogas sintéticas, veja a droga zumbi K9 e a supermaconha.

O que fazer durante uma crise de abstinência?

A crise pode ser imprevisível. Algumas atitudes ajudam a manter a pessoa mais segura até a equipe especializada assumir o cuidado:

  • Não deixe a pessoa sozinha e mantenha o ambiente calmo, com pouca luz e pouco barulho;
  • Evite discutir, ameaçar ou acusar. Fale com calma, sem confrontar;
  • Não ofereça medicamentos por conta própria nem misture remédios. Só o médico deve indicar o que tomar;
  • Não faça a pessoa parar de uma vez o álcool ou os calmantes sem acompanhamento, porque a retirada brusca pode causar convulsões;
  • Ofereça água e alimentos leves, se ela aceitar;
  • Observe os sinais graves: confusão, alucinações, convulsões, agressividade ou fala de se machucar.

Situação de emergência? Se a pessoa está em crise de abstinência com convulsão, alucinações, agressividade ou fala em se machucar, Não espere: fale agora com o nosso atendimento pelo WhatsApp ou pelos telefones (11) 99598-8626 e (11) 93934-2547. Nossa equipe orienta a família e realiza a remoção com segurança.

Como é o tratamento da crise de abstinência?

O tratamento começa com a avaliação do estado geral do paciente e passa pela desintoxicação, que é a fase em que o organismo elimina a substância e se readapta. O ideal é que ela seja feita com acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, em uma clínica com estrutura, porque podem surgir reações inesperadas e é preciso agir rápido.

Em seguida, o cuidado continua com tratamentos que se somam. Não existe remédio milagroso: o resultado vem da combinação entre eles e do acompanhamento ao longo do tempo.

  • Medicação prescrita: usada para aliviar os sintomas, reduzir a fissura e tratar condições associadas, sempre com indicação e controle do médico;
  • Psicoterapia: como a terapia cognitivo-comportamental, que ajuda a reconhecer gatilhos, lidar com a fissura e mudar hábitos ligados ao uso;
  • Terapia em grupo: a troca com outros pacientes reduz o isolamento e fortalece a motivação;
  • Terapia familiar: orienta a família, diminui conflitos e ajuda a criar um ambiente de apoio;
  • Acompanhamento de comorbidades: ansiedade, depressão e outros transtornos costumam aparecer junto e precisam de cuidado.

Veja como funciona o tratamento para dependência química, como é o tratamento para dependentes químicos e como funciona o tratamento psiquiátrico.

Por que fazer a desintoxicação com acompanhamento médico?

Em alguns casos, a abstinência é apenas desconfortável. Em outros, como no álcool e nos calmantes, ela pode evoluir para convulsões, confusão mental e risco à vida. Como não dá para saber de antemão como o corpo vai reagir, o acompanhamento médico traz segurança: a equipe monitora os sinais, ajusta a medicação e age rápido diante de qualquer complicação.

Há ainda a parte emocional. Passada a fase física, é comum surgirem ansiedade, tristeza e fissura, e esse é o momento em que muita gente recai. Por isso, o cuidado não termina na desintoxicação: ele segue com terapia e com um plano para evitar recaídas.

Quando a internação é indicada para crises de abstinência?

A internação em uma clínica psiquiátrica é indicada quando o tratamento fora do ambiente de cuidado não é suficiente ou seguro. Entre as situações mais comuns:

  • Abstinência de álcool ou calmantes, em que a retirada brusca pode causar convulsões;
  • Sintomas graves: alucinações, delírios, confusão mental ou agressividade;
  • Ideias de morte ou de se machucar durante a crise;
  • Recaídas repetidas em tentativas de parar sem acompanhamento;
  • Falta de apoio e de ambiente seguro para atravessar a fase de desintoxicação;
  • Outros transtornos associados, como depressão grave ou psicose.

Se você ainda tem dúvidas, leia internação psiquiátrica: saiba quando é necessária e veja como pedir internação. Veja também comportamentos que revelam a necessidade da internação involuntária.

A internação pode ser voluntária, quando a pessoa aceita, ou involuntária, quando ela recusa e a família solicita, com indicação médica, conforme a Lei 10.216/2001. A involuntária é permitida por lei e a burocracia fica por conta da clínica, e não da família: a clínica comunica o Ministério Público em até 72 horas. Entenda a diferença para a internação compulsória e conheça a nossa página de internação psiquiátrica.

E se a pessoa se recusa a se tratar?

É comum que quem está em abstinência negue o problema ou prometa que vai parar sozinho. Discutir ou ameaçar costuma piorar. Escolha um momento calmo, fale do que você observa e do quanto se preocupa e busque orientação de uma equipe antes de decidir como abordar. Leia o que fazer quando o familiar recusa tratamento e veja sinais de que alguém precisa de tratamento para dependência química.

Quando há risco e a pessoa não aceita ir, a internação involuntária é permitida por lei, a pedido da família e com indicação médica. O Instituto Aron realiza a remoção de pacientes com transporte seguro e cuidadoso, e o valor depende da distância. Se a decisão traz culpa, veja como lidar com esse sentimento.

Como lidar com a fissura e prevenir recaídas?

Depois da desintoxicação, o desafio é manter-se longe da substância. Algumas medidas ajudam bastante:

  • Evitar gatilhos: pessoas, lugares e situações ligados ao uso;
  • Manter uma rotina com horários de sono, refeições e atividades;
  • Praticar exercício físico, com liberação médica, que ajuda no humor e no sono;
  • Cuidar da alimentação e da hidratação;
  • Manter o acompanhamento com psiquiatra e psicólogo depois da alta;
  • Ter apoio, da família e de grupos de ajuda, e avisar a equipe ao sentir a fissura aumentar.

Quando a fissura aparece, ela costuma ter começo, pico e queda. Saber disso e ter alguém para ligar nesse momento faz diferença. Ficar ocupado, sair do ambiente de risco e falar com a equipe são caminhos mais seguros do que enfrentar sozinho.

Como a família pode ajudar?

  • Informe-se sobre a abstinência e sobre a dependência como doença, sem rotular a pessoa;
  • Converse com a equipe e peça orientação sobre como agir nas crises;
  • Combine limites com firmeza e acolhimento, sem agressão nem chantagem;
  • Participe do tratamento, inclusive da terapia familiar;
  • Cuide de você. Quem convive com a dependência também adoece, e buscar apoio não é egoísmo.

Baixe o guia gratuito para famílias, confira o enxoval para internação, consulte o glossário de saúde mental e veja as perguntas frequentes.

Como funciona o tratamento de crises de abstinência no Instituto Aron?

O Instituto Aron é uma clínica particular, que não atende convênios nem planos de saúde, porque o nosso trabalho é personalizado, com atenção individual a cada paciente e a cada família. Temos unidades em vários estados, entre elas São Paulo e Rio de Janeiro, e a nossa equipe orienta qual é a mais adequada para o caso.

O tempo mínimo de internação é de 3 meses, porque os transtornos mentais pedem tempo para estabilização e acompanhamento. O orçamento é individual, feito depois de conhecer o caso, e você pode entender o que influencia o valor em quanto custa uma internação psiquiátrica. Conheça a nossa história e os depoimentos de famílias. Nosso atendimento é de segunda a sexta, das 9h às 20h, e aos sábados e domingos, das 10h às 19h.

Perguntas frequentes sobre crise de abstinência

É o conjunto de sintomas físicos e psíquicos que aparece quando a pessoa reduz ou para de usar uma substância da qual o organismo depende. Pode ser leve ou grave, conforme a substância e o quadro de cada um.

Os mais comuns são ansiedade, irritabilidade, insônia, tremores, suor, náuseas, dores no corpo e fissura. Os graves incluem alucinações, delírios e convulsões.

Varia com a substância e com a pessoa. Os sintomas costumam ser mais fortes no início e diminuir ao longo de dias ou semanas, mas ansiedade, insônia e fissura podem durar mais.

Pode. No álcool e nos calmantes, a retirada brusca pode causar convulsões e confusão mental, com risco à vida. Por isso, a desintoxicação deve ter acompanhamento médico.

Em alguns casos o desconforto é suportável, mas não dá para prever como o corpo vai reagir. Para álcool, calmantes e uso prolongado, a recomendação é procurar acompanhamento antes de parar.

Nenhum por conta própria. Os medicamentos dependem da substância e do quadro clínico e só devem ser usados com prescrição e controle do médico.

Não. Trabalhamos apenas no particular, porque o nosso trabalho é personalizado e só nessa modalidade conseguimos oferecê-lo com a atenção individual que cada família precisa.

O tempo mínimo de internação é de 3 meses. A equipe médica define o tempo total conforme a evolução de cada paciente.

Sim. Realizamos a remoção com transporte seguro e cuidadoso. O valor depende da distância, e o ideal é consultar os nossos especialistas.

É pelo WhatsApp ou telefone. A equipe ouve o caso, orienta os próximos passos, indica a unidade mais adequada e informa o orçamento.

Se você chegou até aqui, provavelmente alguém que você ama precisa de ajuda. Não espere piorar. Fale com a nossa equipe, conte a situação e saiba quais são os próximos passos, com acolhimento e sigilo.

Telefones: (11) 99598-8626 e (11) 93934-2547. Atendimento de segunda a sexta, das 9h às 20h, e aos sábados e domingos, das 10h às 19h.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

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